Carmen
Isso não é nostalgia. É uma necrópsia — cinco garotas abertas sobre a mesa, a maquiagem ainda úmida, as lantejoulas ainda sangrando luz.
TAINT não era um sonho adolescente — era um produto, fabricado em quartos de hotel com ventiladores girando sobre cinzeiros transbordando. Cinco meninas sem sobrenome, financiadas por um cartel que lavava cocaína em turnês mundiais. O contrato vinha com um cardápio: qual delas subiria primeiro ao quarto do produtor. Qual delas não voltaria.
Elas gritaram mesmo assim. Gritaram dentro dos microfones até furar estádios. Gritaram até o sonho americano sangrar pelo nariz. Este livro é o que sobrou depois que as luzes se apagaram, depois que os contratos queimaram, depois que a polícia fechou a última porta.
Primeiro disco. Três acordes, dois gritos e uma bandeira rasgada na capa. Gravado em doze dias, banido em três estados, esgotado em duas semanas. O punk que as emissoras chamaram de "histeria".
Disco das bruxas. Letras roubadas de Emily Brontë e colocadas em cima de baixos de cocaína. Molly assume a caneta; Carmen assume o púlpito. A indústria começa a ter medo delas.
O disco que as transformou em santas. Gravação interrompida três vezes por overdoses. Vitrais rachados, órgãos de igreja e uma Lucy sussurrando o refrão principal como quem fecha um caixão.
Lançado sete meses depois do assassinato de Crystal. As quatro sobreviventes nunca mais tocaram juntas. A capa branca era uma certidão de óbito que vendeu seis milhões de cópias.
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